Vodafone Paredes de Coura – Dia 2: Jungle aquece multidão

Foi um misto de dança e emoção o segundo dia do festival Vodafone Paredes de Coura. Como esperado, os cabeças de cartaz cumpriram a sua missão e o palco principal fechou com todo o público a dançar, dando uma visão inigualável ao recinto.

Pelas 13h teve início o segundo dia do festival Vodafone Paredes de Coura, com o habitual Vozes da Escrita no palco Jazz na Relva. António Zambujo, Manuela Azevedo e Sara Carinhas proporcionaram momentos de poesia de vários autores diferentes que chamaram a atenção dos espectadores que se encontravam tanto no rio como no relvado, ainda a descansar. É uma excelente forma de começar o dia na praia fluvial do Taboão. Ainda neste palco, os concertos da tarde ficaram a cargo de Galo Cant’Às Duas e S. Pedro, que proporcionaram mais uma tarde de boa música nas margens do rio.

Os concertos no recinto começaram no palco Vodafone.FM com Fugly, os portuenses que trouxeram, como é usual, a grande dose de rock e garage que “Millenial Shit” transmite. “Inside My Head” e “Take You Home Tonight” foram alguns dos temas mais aguardados, tendo o público reagido com entusiasmo.

O recinto estava mais cheio do que o habitual, dada a hora do dia, para receber X-Wife, conjunto que muitos ansiavam ver a atuar no palco Vodafone. Regressando a este festival 15 anos depois da sua estreia, a banda abriu o palco principal e dedicou-se maioritariamente ao novo álbum que cumpriu as expetativas do público presente.

Um palco Vodafone.FM eletrizante

Apesar de algum atraso devido a dificuldades técnicas, devidamente ultrapassadas, The Mystery Lights proporcionaram um dos concertos mais elétricos do festival até ao momento. Perante um show irrequieto de Mike Brandon, com toques de uma verdadeira estrela de rock, houve uma forte retribuição por parte do público a cada salto do vocalista. “Too Many Girls” e “Before My Own” foram alguns dos temas apresentados pelo conjunto maioritariamente psych-garage de NYC, tendo este último contado com uma interação interessante e até à subida ao palco de um sapo de peluche de um espectador. Os membros tiveram ainda tempo para passar pelo campismo, depois do concerto, rodeados pelas intermináveis entradas e saídas dos festivaleiros.

De volta ao palco principal, Shame veio apresentar “Songs of Praise”, lançado em janeiro deste ano. A banda inglesa, composta por 5 elementos, trouxe post-punk ao palco Vodafone para um final de tarde desconcertante. “Enjoy yourselves” foi uma das frases mais proferidas por Charlie Steen, vocalista da banda de South London, comprometido em garantir uma boa experiência aos presentes no recinto, pedindo repetidamente para se aproximarem do palco e também tendo dito aos seguranças para não impedirem qualquer tipo de divertimento.

Shame – 2º dia – 16 de Agosto © Hugo Lima

Pelo início da noite, de Philadelphia chegaram Japanese Breakfast. Com uma crítica muito positiva de “Soft Sounds from Another Planet”, álbum divulgado em 2017 recheado de pop mágico e experimental, não desiludiram e foram mesmo um dos espetáculos mais divertidos do festival. Fica guardado o constante e contagiante sorriso de Michelle Zauner, que também participa no projeto Little Big League, sempre que se apercebia da resposta e da vasta dimensão do público do palco Vodafone FM.

O melhor que o indie-folk e Soul têm para oferecer

Paredes de Coura parou, pelas 23h15, para receber os tão aguardados Fleet Foxes, um dos grandes nomes do cartaz desta edição. Foi num silêncio embalador que Robin Pecknold liderou a sua banda, das grandes influências mundiais no panorama indie-folk, para uma sucessão de coros poéticos e imersivos. O concerto foi denso, e teve tanto de emocional como confortável, atingindo o clímax em temas como “Mykonos”,  “White Winter Hymnal” e “Third of May / Ōdaigahara”, este último do seu álbum mais recente “Crack-up” de 2017.

Fleet Foxes – 2º dia – 16 de Agosto © Hugo Lima

Ninguém podia fechar tão bem uma movimentada segunda noite no palco Vodafone como Jungle, um autêntico despertador para uma noite fria. Imparáveis, consistentes e perto de lançar o seu próximo álbum em setembro deste ano, o concerto vai certamente entrar para a caderneta dos grandes espetáculos que Paredes de Coura já recebeu. A cada falsete e ritmo tropical certeiro, a magnífica comunhão das vozes de J e T, amigos de infância, atingiram de forma profunda a multidão. Uma aposta ganha para cabeça de cartaz, com tempo para uma passagem por todos os maiores êxitos, como “Busy Earnin’”, “The Heat” e “Time”, numa onda interminável de funk e soul. Destaque para os novos singles, muito bem recebidos, como “Happy Man”, “House in L.A.” ou “Cherry”, ainda com poucas semanas de vida. Houve ainda tempo para uma devida homenagem a Aretha Franklin, que faleceu no mesmo dia.

Jungle – 2º dia – 16 de Agosto © Hugo Lima

A noite seguiu com muita dança e animação nos after hours. Hoje, dia 17, o destaque é para Skepta e Slowdive no palco Vodafone. Perdeste a noite do 1º dia? Vê aqui a reportagem.

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Rita Moura, Carlos Silva

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