Reportagem Party Sleep Repeat

Nos dias 22 e 23 do mês passado, o PSR regressou à Oliva Creative Factory para mais uma edição, este ano, com o que foi, talvez, o cartaz mais ambicioso de sempre.

 

Dia 1

Depois de uma viagem de cerca de 40 minutos e de me ter perdido em S. João da Madeira, finalmente, encontrei a antiga fábrica onde o festival se realiza. Apesar do receio de não chegar a tempo do concerto dos The Miami Flu, banda da qual eu não esperava muito, sendo talvez a que menos me importância dava no cartaz, após levantar a credencial ainda me sobrou algum tempo para conhecer o recinto.

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Os The Miami Flu subiram ao palco com um ligeiro atraso e cedo me conquistaram com a sua música largamente influenciada pelo rock psicadélico e por jogos de vídeo. O público estava completamente apaixonado por este inicio com uma banda que, com mais alguma experiencia, teria qualidade para se aquentar como “cabeça de cartaz”. Durante os cerca de 40 minutos que durou o concerto pudemos ouvir várias malhas do seu disco de estreia, Too Much Flu Will Kill You, destacando-se, por pouco, “Sugarcane”. Apesar da minha indiferença em relação ao projecto, no início do concerto, sou obrigado a reconhecer que foi a banda revelação do Party Sleep Repeat e um dos melhores concertos ou, pelo menos, um dos mais divertidos.

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Seguiram-se os Basset Hounds que deram um concerto bastante competente que se centrou no seu álbum de estreia lançado o ano passado. Bastante mais comunicativos que a banda que os antecedeu, criando, até, rápidos diálogos com o público e prometendo finos a alguns elementos do mesmo. Deve ser destacada “Over The Eyes”, o momento em que os espectadores mais dançaram.

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Todos os presentes esperavam pacientemente pelos Paus, a banda que viria apresentar o seu terceiro disco de originais. A disposição da banda em palco foi a do costume, os quatro elementos de frente uns para os outros e os bateristas à frente. O concerto iniciou com “Era Matá-lo”, quinta faixa de Mitra, trazendo consigo uma enorme explosão de energia pondo todos a cantar e dançar. Não era a primeira vez que Hélio Morais participava no Party Sleep Repeat como artista, fazendo questão de o referir e de agradecer a todos o que garantiram que tal festa fosse possível. De entre tantas podem ser destacadas “Pelo Pulso”, “Deixa-me Ser” e “Pela Boca” como músicas que tiveram uma melhor reacção por parte do público. No fim do concerto Makoto Yagyu decidiu executar um rolamento em cima do público, sendo que inúmeros fãs se juntaram mais para a frente de modo a garantir a segurança do músico. Após este concerto apenas assisti ao início de Holy Nothing com “Rely On” e, apesar de se prever um grande concerto, não me foi possível ficar mais tempo.

 

Dia 2

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No segundo dia a viagem até ao recinto correu de uma melhor forma o que não me impediu de recear, mais uma vez, perder parte do primeiro concerto. Foi a primeira vez que vi Ganso (ou como lhes chamo, por vezes, num tom de brincadeira, Capitão Ganso) e era, provavelmente, a banda que menos queria ver no cartaz do festival por não ter apreciado o seu disco de estreia, Costela Ofendida. O concerto começou com “Idalina” e cedo me mostrou que ter uma opinião negativa em relação ao trabalho em estúdio não impede de ter uma positiva em relação ao concerto. Bastante energéticos captaram bem a atenção do público e deixaram-me com uma grande vontade de voltar a ouvir o tema instrumental tocado antes de “Lá Maluco”, juntando-se Salvador Seabra na percussão para esta. Como seria de esperar, “Pistoleira” foi a canção que teve uma reacção mais efusiva por parte de quem assistiu à actuação desta jovem banda. Para terminar o concerto o vocalista fez um rap Freestyle durante uns bons 5 minutos, causando várias reacções diferentes, eu ficaria bem apenas com as músicas preparadas e ensaiadas previamente.

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Seguiram-se os Equations e o seu magnifico Hightower com uma boa amostra da qualidade da sua intervenção no rock progressivo mas, infelizmente, não consegui assistir ao seu concerto com a devida atenção.

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Como última actuação ao vivo do festival tínhamos os Capitão Fausto (para evitar algumas repetições sugiro que ouçam a reportagem do concerto na Casa da Música/entrevista à banda) com um concerto que apesar de não ter tido a qualidade do da Casa da Música não lhe ficou muito atrás. O concerto teve como introdução “Wuthering Heights” da senhora Kate Bush, no fim deste tema intemporal, apareceram os 5 jovens (depois deste novo álbum: adultos) mais esperados da noite. Começando com “Morro na Praia” do novo disco e passando para a explosiva “Célebre Batalha de Formariz” com um resultado bastante prefisivel sobre o público, mosh. No fim desta e no início de “Litoral” reparei que tinha perdido a credencial no mosh mas como era o último concerto não dei grande importância e continuei a aproveitar. Apesar de mosh ser uma constante em concertos desta banda quando se torna descontrolado deixa de proporcionar qualquer diversão, foi o caso, vários eram os que entravam de punho cerrado ou a rodar os braços sendo completamente escusado, estragando em parte o concerto. O concerto teve o seu desenrolar normal, excelente como sempre. Terminando o set principal com “Nunca Faço Nem Metade” e regressados para encore ainda foi possível convencer Domingos Coimbra a tocar a linha de baixo de uma canção improvisada que tinha sido partilhada pela banda no facebook. O encore terminou da melhor maneira com “Verdade”, uma das enormes do Gazela.

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Depois do concerto ainda foi possível conversar com alguns membros das bandas e assistir, ainda que vagamente, ao dj set de Xinobi. Terminado, assim, o Party Sleep Repeat abandonei S. João da Madeira com memórias maioritariamente positivas de dois dias com actuações de bandas fenomenais.

 

Texto: Francisco Lobo de Ávila

Fotos: Teresa Mendes

 

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