12 álbuns que marcaram 2017 - Engenharia Rádio

12 álbuns que marcaram 2017

Criolo – Espiral de Ilusão

Um dos álbuns mais bonitos e convidativo de todos os tempos, trago-vos Criolo – Espiral de Ilusão. Elegante, melódico, Criolo consegue pôr toda a gente a abanar o pezinho, trazendo consigo a vontade de agarrar a pessoa ao lado, dançar um samba bem delicado, e começar a história de amor mais sedutora e cúmplice de todas as outras histórias de amor sem sal que para aí andam. Acompanhado pelo cavaquinho, violão e flauta transversal, traz-nos um clima de saudade e melancolia, e consegue torná-lo provavelmente o momento mais feliz e belo do nosso dia. Tratando temas como a saudade, o amor e a desilusão, Criolo aborda também uma componente mais formal e social no seu álbum. Original, colorido, moderno e cheio de sentimento, são as palavras-chave que vos trago deste álbum fenomenal.

C.F.

 

Protomartyr – Relatives in Descent

Depois de ter desaparecido a meio dos anos 80, o pós-punk voltou, com muito sucesso e bem aprumado, na primeira década deste século (e.g. Interpol). Contudo, foi sol de pouca dura e apenas mais recentemente é que nomes como Women, Preoccupations (aka Viet Cong), Ought e Protomartyr tentam reerguer esta forma mais artística do punk. E estes últimos encontram-se na direção certa em ‘Relatives in Descent’, onde se nota um claro amadurecimento da banda, principalmente na dinâmica das suas composições musicais.  A música do álbum apresenta uma dualidade muito interessante sendo tanto dançável como desanimada e a letra, de carácter político, poética e bem dramática, entregue por Joe Casey no seu estilo de quasi-declamação, retrata os habituais ambientes sombrios e distópicos. Excelente obra dos Protomartyr, será que conseguem fazer algo ainda melhor, talvez ao nível dos grandes clássicos do género? Têm potencial para tal.

J.G.

 

Mount Eerie – A Crow Looked at Me

“A morte não é para ser cantada nem para ser materializada em arte”, diz-nos Phil Elverum no início deste álbum. Apesar disso, o artista não pode deixar de o fazer. Escrito depois da mulher de Phil ter perdido a batalha contra o cancro, ‘A Crow Looked At Me’ é um álbum muitíssimo difícil de ouvir e acompanhar, tendo em conta que se trata de algo parecido com um diário, onde a brutalidade das simples letras e o acompanhamento instrumental mínimo e melancólico nos levam a sentir todas os momentos cantados como nossos. É sombrio e triste, mas muita música existe com os mesmos atributos, a diferença neste álbum é que tudo é bastante real, o que torna a experiência de o ouvir assustadora e inquietante. Avaliá-lo seria um erro, mas é sem dúvida uma obra de arte marcante e única.

J.G.

 

King Krule – The Ooz

Um álbum que dança entre o cool e algo mais artístico e experimental, ‘The OOZ’, é certamente das coisas mais positivas a sair em 2017 no mundo da música. É impossível enquadrar este disco num só género musical, e o mesmo quase se pode dizer para cada faixa: ouve-se trip-hop aqui, dub ali, punk acolá, jazz lá no meio e sem dúvida um quê de R&B contemporâneo. E se tal miscelânea seja, em teoria, excessiva, a verdade é que na prática deste álbum resulta incrivelmente bem, sendo cada influência usada meticulosamente e no sítio certo, sem o flow da obra se perder. Archy Marshall, apesar da tenra idade, constrói então um álbum de música temperamental e surpreendentemente coesiva, e oferece ao ouvinte um ambiente leve para o poder acompanhar nos seus devaneios. Uma viagem perfeita para noites de neblina.

J.G.

 

Angles 9 – Disappeared Behind the Sun

Editado pela portuguesa Clean Feed Records, eis mais um álbum pertencente à cena infindável de jazz experimental e avant-garde da Suécia. Em ‘Disappeared Behind the Sun’, segundo lp do extenso grupo Angles 9, os nórdicos trazem mais três quartos de hora de música extremamente empolgante, tendo por base o que Charles Mingus experimentou em ‘Let My Children Hear Music’, por exemplo, e elevando o caos a níveis semelhantes ao que já foi feito pelos Radiohead no tema ‘The National Anthem’. Um punk mascarado de jazz ou um jazz mascarado de punk? Jazz de garagem? Pouco importa, a verdade é que os suecos voltam com o seu som praticamente único, e no seu melhor.

J.G.

 

Fenómeno dos 5 álbuns de King Gizzard & the Lizard Wizard

O conjunto australiano levou cabo um dos mais ambiciosos desafios da sua carreira após ter-se proposto a lançar cinco álbuns durante o ano de 2017. Promessa cumprida. A longa jornada começou a 24 de Fevereiro com o lançamento do “Flying Microtonal Banana” gravado pela Heavenly Recordings. Um disco que se debruça sobre as sonoridades turcas e microtonais combinado com o hipnótico psicadelismo característico do grupo da Oceania. Destaque para as faixas “Billabong Valley” e “Sleep Drifter”.

Lançado pela ATO Records a 23 de Junho foi o “Murder Of The Universe“, o trabalho menos conseguido do quinteto. Marcado pelas rápidas performances aliadas e trechos de spoken word num tom sombrio. Destaque para a faixa “The Lord Of Lightning”.

O décimo primeiro álbum da banda e o terceiro deste ano foi o “Sketches of Brunswick East“, publicado 18 de Agosto pela ATO Records e que contou com a colaboração dos Mild High Club (MHC). Nele é feita a referência ao trabalho do mestre do jazz Miles Davis, “Sketches of Spain”. O ponto mais alto do ano, pela conceção original de faixas de jazz. Bebeu diretamente do pop (ajudado pelos MHC) até ao jazz etíope de Mulatu Astatke. Premeio-o pelo shift que contraria a natureza vibrante dos KG&LW e que resultou em músicas muito laid back. Destaque para as faixas “Tezeta”, “The Book” e “The Spider and Me”.

O segundo pico de genialidade chegou a 17 de Novembro com “Polygondwanaland“. Um trabalho livre de royalties e que pertence inteiramente aos fãs dos colegas de Melbourne. Totalmente orientado para o rock progressivo que culmina todas as influências da banda num LP, proporcionando a experiência mais holística dos 3 anteriores. Destaque para as faixas “Loyalty” e “Horology”.

A 24 horas do final do ano surge “Gumboot Soup“. O terceiro pico de competência e inesgotável creatividade produzido pela Flightless Records. Aqui demonstram a sua total versatilidade de estilo e sensibilidade para variadas formas de expressão. Desde a encantadora “Beginner’s Luck”, passando pelo peso na “The Great Chain Of Being” até à dreamy “I’m Sleepin’ In “.

J.F.

 

The Vacant Lots – Endless Night

Após uma colaboração e um EP produzido por Anton Newcombe (Brian Jonestown Massacre), em 2016, o duo de Nova Yorke, The Vacant Lots, no passado mês de abril, presenteou-nos com Endless Night, uma fusão de várias influencias e géneros a qual designa por dark electro psych. Cada tema é uma viagem por uma mistura diferente e o revisitar de uma ou várias épocas da história da musica.

Ainda que difícil de classificar ou categorizar devido à sua versatilidade, Endless Night, lembra um casamento americano entre o instrumental dos New Order com o dos Clinic e uns leves vocais de shoegaze a acompanhar. O disco termina da melhor maneira com uma faixa na qual foram aproveitados vocais “tirados do baú” de Alan Vega, mítico musico dos Suicide que faleceu no passado ano de 2016.

F.A.

 

GPU Panic – Sand Haze EP

GPU Panic ainda é um nome relativamente desconhecido em Portugal mas se o nome “Guilherme Tomé Ribeiro” já faz soar algumas campainhas o nome “Salto” já é imediatamente reconhecido. GPU Panic é, então, o projeto de música eletrónica de Guilherme Tomé Ribeiro (vocalista dos Salto) que teve sua génese durante a participação na Red Bull Music Academy 2016.

A poucos dias do término do ano, Sand Haze EP, foi apresentado ao vivo em “Ginga Beat”, programa da Red Bull Radio, e posteriormente disponível em streaming. Lembrando, por vezes, Burial ou Roman Flügel, este EP mostra que a qualidade da música eletrónica nacional é enorme e que esta merece destaque junto da internacional.

F.A.

 

 

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